Solos e substratos, adubos e fertilizantes.

Discussões sobre diferentes técnicas de plantio (solo, vasos, hidroponia etc.)

Solos e substratos, adubos e fertilizantes.

Mensagempor roque em 11 Jul 2008, 11:07

Introdução

Esses textos que serão colocados aqui nesse post, são todos, integralmente de minha autoria, tem um objetivo didático de levar um conhecimento básico sobre solos e substratos, fertilizante e adubos, minerais ou orgânicos, corretivos e melhoradores de características dos solos, como fertilidade. São textos simples, onde irei procurar usar uma linguagem pouco técnica e o mínimo científica possível, pois a finalidade é ser de fácil entendimento a maioria dos foristas. Minha idéia é tentar dirimir dúvidas e aumentar o entendimento de processos muito importantes no manejo de solos e substratos no cultivo de hortaliças, como as pimentas, mas procurando levar também um conhecimento básico sobre o assunto, de forma generalizada, que pode ser muito útil em qualquer cultivo de plantas. Os textos podem conter simplificações excessivas, e até mesmo incorreções, então quem ler e não compreender ou achar alguma coisa errada, fique totalmente a vontade para questionar ou corrigir, certo?

Solos e substratos

Solo é toda a fração da superfície terrestre, não inundada permanentemente, que não é constituída de rocha sólida maciça.
Para a vida vegetal do planeta os solos tem muita importância, mas vamos nos ater a duas principais:
- Para as plantas o solo serve de suporte e sustentação;
- É do solo que as plantas retiram a grande maioria dos nutrientes de que necessitam.
A função de suporte que o solo apresenta é fundamental para a grande maioria das plantas terrestres, com exceção das epífitas, que se aderem a suportes compostos por partes de outros vegetais, como tronco, galhos, etc, e as rupestres, que se fixam em rochas maciças, como montes, montanhas ou maciços rochosos. O sistema radicular, a medida que a planta se desenvolve vai crescendo solo adentro, formando uma massa, muitas vezes, igual que a da parte aérea e até superior. Quando a planta sofre ação de ventos, enxurradas, ou qualquer outra ação mecânica, é a sua fixação no solo que lhe garante a resistência necessária para não ser arrancada ou tombar.
As plantas verdes são seres autótrofos, ou seja, tem a capacidade de sintetizar todos os compostos orgânicos que necessitam, a partir de luz, água, CO2, O2, e sais minerais.
Com exceção da luz, todos os outros podem ser considerados nutrientes, pois apresentam massa, são matéria prima para os processos de biossíntese. As raízes são responsáveis pela maior parte dos nutrientes minerais absorvidos pela planta, além da água e uma parte significativa de O2, como veremos a seguir. A parte aérea da planta absorve também minerais, água e maior parte do O2 e a quase totalidade do CO2, tanto do ar atmosférico, no caso dos gases, como da água da chuva ou da irrigação, no caso da própria água e dos minerais. As folhas e os tecidos mais jovens tem maior capacidade de absorção.
Bem os minerais inorgânicos só podem ser absorvidos pelas plantas quando em solução aquosa, portanto a nutrição mineral da planta está intrinsecamente ligada a água existente no solo, que está disponível a absorção pelo sistema radicular.
Temos uma noção advinda do senso comum que o solo é uma coisa sólida, porém temos de entender o solo como composto por três frações distintas, mas intimamente interligadas: sólida, líquida e gasosa.
A fração gasosa, também conhecida como “ar do solo”, é uma mistura gasosa, de composição muito aproximada a do ar atmosférico, de onde deriva, porém alguns gases encontram-se em proporções diferentes. As raízes das plantas, apresentam tecidos vegetais bastante ativos, com um metabolismo celular, as vezes, bem intenso, como já dissemos não raro, a massa do sistema radicular é igual a da parte aérea, ou até mesmo superior. As raízes além das funções de fixação da planta e absorção de água e nutrientes minerais, também absorvem oxigênio, do ar do solo, para o processo de respiração celular. Então pelo fato de as raízes necessitarem de retirar o O2 do ar do solo para respiração, quando existe pouco ar ou esse encontra-se pobre em O2, as raízes tem seus processos metabólicos diminuídos ou até mesmo interrompidos, podendo haver morte celular, o que podemos ver em raízes podres em solos ou substratos encharcados com excesso d’água. O ar do solo ocupa uma parte dos macroporos, espaços existentes entre os fragmentos de maior tamanho, principalmente de areia, mas também entre os agregados ou estruturas formadas pela agregação de areia, argila e MO. Entre o ar do solo e o ar atmosférico devem ocorrer trocas gasosas, isso é facilitado em solos estruturados, soltos, descompactados, ricos em MO, etc. Solos compactados, encharcados, ou com algum outro impedimento, apresentam baixa capacidade de efetuarem essas trocas, então o ar do solo apresenta baixo teor de O2, dificultando a respiração das raízes, ao mesmo tempo, ocorre um aumento de outros gases oriundos da respiração do tecido radicular e ação de microorganismos do solo.
A fração líquida, também conhecida como água do solo ou solução do solo, corresponde a água disponível no solo, geralmente ocupando os microporos, espaços muito pequenos existentes entre partículas muito pequenas, os grãos de argila e a MO. Por isso solos argilosos ou muito ricos em MO apresentam uma capacidade elevada de reter água, permanecendo úmidos por mais tempo que solos arenosos, submetidos a mesma irrigação. Nessa água existente no solo, encontram-se dissolvidos os íons, de sais existentes na matriz sólida. Essa solução aquosa de íons é absorvida pelas raízes, ocorrendo dessa forma a nutrição mineral das plantas. Quaisquer íons, cátion ou ânion, existente nessa solução aquosa será absorvido pela planta, num processo de troca de íons, com baixa ou nenhuma seletividade, então os íons indesejáveis, como de metais pesados, não utilizados nos processos metabólicos das plantas, ou íons tóxicos e nocivos ao metabolismo como o alumínio tóxico ou alumínio solúvel, na forma de Al3+, são absorvidos nas mesmas condições dos íons de nutrientes, potássio (K+), cálcio (Ca2+), fósforo (H2PO4-), nitrogênio (NO3- ou NH3+), etc..... Quando falarmos de adubação iremos voltar a esse assunto com um pouco mais de profundidade.
A fração sólida, composta por uma diversidade enorme de minerais, fragmentos, compostos orgânicos, etc. Para fins didáticos iremos nos reportar apenas aos componentes genéricos mais importantes para nós: Areia, argila e matéria orgânica (MO).
Uma mistura bem equilibrada desses 3 componentes básicos, pode levar a constituição de um solo de boa qualidade para o desenvolvimento da maioria das plantas. Ocorre que em solos naturais, existem muitas, inúmeras variações dos tipos desses componentes, e de seus teores relativos, não vamos entrar em detalhes, mas existem diversos minerais de argila e de areia, além da MO ser também tão diversa quanto sua origem, plantas e animais. Outra coisa importante, que muitas vezes é esquecida reside no fato de que a MO não é constituída unicamente de restos vegetais e animais em decomposição, existe uma enorme diversidade de organismos vivos contidos nessa fração do solo, protozoários, fungos, algas, bactérias, etc.... Esses micoorganismos apresentam funções vitais ao equilíbrio de inúmeras propriedades dos solos, no tocante a sua fertilidade e adequação ao cultivo de plantas.

CONTINUA.......
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Solos e substratos, adubos e fertilizantes.

Mensagempor Deivid em 11 Jul 2008, 14:07

Roque,

Cara, parabéns pela criaçao deste tópico!!

Vai ter uma utilidade muito grande para todo mundo aqui do fórum.

Obrigado por compatilhar seu conhecimento conosco.

Vocë tem visto as minhas pimentas em meu diário :?: Esta sendo todas cultivadas segundo as suas dicas de manejo e preparaçao do solo. Está sendo muito bom!!

Abraços
Conheça SANTA e bela CATARINA!!! Aposto que você vai se apaixonar.

Para encomendar a sua camiseta do fórum, click aqui ( http://www.pimentas.org/forum/viewtopic ... 0642#70642 ).
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Mais um texto

Mensagempor roque em 14 Jul 2008, 11:53

Como vimos anteriormente o solo é composto de 3 fases: sólida, líquida e gasosa, fizemos uma pequena introdução a cada uma delas. Agora iremos nos aprofundar mais um pouco em algumas características dos componentes sólidos e líquidos, para posteriormente entrarmos nos assuntos mais relativos a culturas agrícolas, como fertilidade, adubações e correções e irrigação.
Bom, na constituição dos solos, existe uma diversidade enorme de minerais, rochas e outros componentes inorgânicos, além da MO, que dependendo de sua origem pode também ser muito diversa, tanto em termo de composição química, quanto em propriedades físicas e biológicas.
O solo é resultado de um processo geológico denominado intemperismo, no qual agentes físicos e químicos, ocasionando alterações nas rochas e fazendo com que fragmentos de diversos tamanhos sejam formados, esse processo ao longo de milênios, milhões de anos, leva a formação dos principais componentes inorgânicos do solo, areia, silte e argila. Após o surgimento da vida no planeta, a coisa de uns 450 milhões de anos atrás, segundo a teoria da evolução, claro, o intemperismo passou a contar com um incremento notável, a ação dos organismos vivos. A coisa é bastante complexa, mas a vida teve um papel fundamental em alguns processos de escala planetária, como exemplo mais notável disso, temos os ciclos biogeoquímicos, principalmente dos elementos químicos mais importantes a vida, ou seja, Carbono, Hidrogênio, Oxigênio, Nitrogênio, Fósforo e Enxofre, ou CHONPS. Claro que muitos outros elementos químicos como Ca, Mg, K, etc, tem muita importância nos ciclos vitais, mais esses primeiros tiveram, de certa forma seu ciclo natural significativamente alterados com o surgimento da vida no planeta terra. Vamos voltar a terra, coisa de meio bilhão de anos atrás, antes do surgimento da vida a luz da teoria da evolução, o planeta ainda era muito quente, tinha uma atmosfera rica em gases bastante tóxicos, como amônia (NH3), gás sulfídrico (H2S), metano (CH4), muito, mais muito mais CO2 que hoje em dia, menos oxigênio, etc, etc......, enfim, a atmosfera primitiva era bem diferente dessa nossa atual. Com o surgimento dos primeiros seres microscópicos, bactérias primitivas, tem início uma grande alteração nos ciclos dos CHONPS. O metabolismo desses seres primitivos, eram em vários aspectos, muito semelhantes aos que ocorrem em todos os seres vivos atualmente, os metabólitos principais, carbohidratos, lipídios, proteínas e ácidos nucléicos, são compostos quase que exclusivamente por CHONPS, dessa forma a medida que a biomassa crescia, esses elementos passaram a ter uma dinâmica bastante alterada. A vida surgiu na água, mas assim que micoorganismos e principalmente plantas primitivas, “invadiram” a terra firma, o ambiente fora d’água, passou por uma notável mudança, sem animais para comer as plantas, a biomassa vegeta, em questão de alguns poucos milhões de anos, verdadeiramente “explodiu”, ocasionando um acúmulo de MO gigantesco, florestas primitivas, com plantas gigantes, crescendo numa atmosfera rica em CO2, úmida e muito quente, faziam com que elevadas quantidades de carbono fossem fixadas por processo fotossintético, o que também promovia uma liberação enorme de oxigênio na atmosfera, então nessa fase, surgem grandes depósitos de MO, tanto nos oceanos e mares, quanto em terra firme, depósitos gigantesco, acumulados por milhões de anos, posteriormente recobertos por rochas, em função de cataclismas, como erupções vulcânicas ou choques de corpos celestes com a terra, esses grandes depósitos de MO “enterrados”, constituíram a “matéria prima” dos combustíveis fósseis, xisto, carvão e petróleo. Bom nesse meio tempo o intemperismo das rochas se acentuou com o incremento promovido pelas alterações dos novos ciclos biogeoquímicos em curso, a ação de bactérias, fungos, plantas primitivas e mais tarde, animais, acabou favorecendo o processo de formação de solos, dando origem a muitos de nossos solos, influindo, em alguns casos de maneira muito significativa em várias das propriedades e características dos solos, essenciais a boa fertilidade e capacidade de suporte de plantas, que observamos atualmente.
Bem essas considerações parecem meio “fora de foco”, mas acho que é sempre bom repensar nessas coisas para compreender melhor como a dinâmica dos solos e a interação solo/planta ocorre.
Então, dependendo da rocha de origem, isso é muito importante, porque derrames de lava vulcânica são os principais meios de formação das rochas mais superficiais, e mais importantes para a constituição dos solos, não são nada iguais, em várias regiões do mundo rochas vulcânicas recentes e bastante antigas, tem composições químicas bastante variadas, algumas apresentam pH ácido, outras, neutro ou básico, teores de nutrientes, como P, Ca, Mg, S, K, Fe, Mn, etc, variam muito. Dessa forma, os solos dependem muito da constiutição química da rocha de origem. O tempo, ou ação cronológica também é fundamental, pois solos antigos estão mais sujeitos ao intemperismo que solos mais recentes, a ação do clima e do relevo também são importantes, mas não vamos entrar em detalhes, basta dizer que muitas diferenças entre solos temperados e tropicais, além da composição das rochas de origem, tem muito a ver com fatores climáticos, principalmente temperatura, chuvas, umidade do ar, etc. E finalmente a ação dos organismos vivos, aqui também existe muita diferença, em locais cobertos por vegetação, em áreas tropicais, com intensa atividade microbiológica, os solos podem ser muito diferentes se comparados aos de mesma latitude e com rocha de origem semelhante.
Bem a de se ter em mente que o tempo a que nos referimos é de escala geológica, então quando falamos de tempo na gênese ou alteração de qualquer propriedade dos solos estamos falando de no mínimo, muitos milhares a alguns milhões de anos. É importante salientar também que, apesar de ficarmos separando esses fatores, claro, por uma questão didática, para conseguirmos entender algumas coisas “isoladas”, temos que ter em mente que tudo acontece ao mesmo tempo, ou seja, todos os fatores, composição das rochas, clima, tempo, relevo, ação biológica, etc, agem sobre as rochas e sobre os solos, então o intemperismo é um somatório de tudo isso e também continua ocorrendo de forma ininterrupta, então apesar de toda ação antrópica, a superfície da terra continua se alterando, isso não podemos controlar.

A SEGUIR IREMOS FALAR UM POUCO DAS PROPRIEDADES E CARACTERÍSTICAS DOS SOLOS.............
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Re: Solos e substratos, adubos e fertilizantes.

Mensagempor roque em 15 Jul 2008, 11:43

Existem muitas características dos solos, algumas muito importantes para o cultivo de plantas, tais como fertilidade, textura, coloração, etc.
Os solos tem classificações também distintas em função das características que se avaliam, mas não vamos entrar em detalhes muito técnicos, só coisas práticas e importantes.
A fertilidade é a característica mais importante de um solo para nós, mas fertilidade é uma coisa complexa, depende da análise de uma série de fatores, como textura, teor de nutrientes, pH, etc. Na realidade um solo é considerado fértil quando tem todas as propriedades suficientes para um bom desenvolvimento de uma cultura, desde a sua instalação até a produção. Alguns solos são férteis naturalmente, como os solos roxos existentes no Paraná, solos escuros da Rússia, Terra Preta de índio, no Amazonas, etc....
Esses solos apresentam um conjunto de características ideais aos cultivos apropriados a seus climas, sim porque nada adianta ter um solo fértil, com pH, teores de nutrientes elevados, textura ideal, etc, mas clima desfavorável. Certo?
Alguns solos são de baixa fertilidade, devendo sofrer algum tipo de intervenção capaz de alterar algumas de suas características a fim de que se tornem aptos a produzir algum tipo de cultura agrícola. Antigamente os solos do cerrado brasileiro eram considerados inférteis, por serem ácidos e pobres em nutrientes, com calagem e boa adubação, tornaram-se férteis, e hoje se produzem boas safras de grãos, principalmente soja e milho. Na Argentina, existem solos muito férteis, ricos em fósforo e potássio, com pH ideal, onde se produz soja, até com utilização ZERO de calcário e adubos, o que não é possível em quase nenhum solo brasileiro.
A primeira coisa que temos que observar quando desejamos plantar qualquer coisa é fazermos algumas perguntas básicas:
1) Essa planta se desenvolve, frutifica e produz em meu clima? Isso porque, como já dissemos, não adianta ter um solo bom, fértil, se a cultura é inadequada para a região. Então se seu clima é muito quente, e a planta é de clima temperado ou frio, provavelmente a coisa não vai dar certo! Existem cultivares ou variedades que podem ser mais adequadas, então inicialmente temos de ter em mente o que vamos produzir.
2) Escolhi a planta, agora que tipo de solo e quais as necessidades dessa cultura? Bom, definimos o que vamos plantar, agora resta saber qual a demanda por nutrientes, preferências, e outras características da planta. Algumas plantas toleram pH ácido, outras não, algumas demandam mais potássio (banana), outras enxofre (tomate), boro (repolho), nitrogênio ( hortaliças folhosas em geral ), etc..... Algumas plantas não toleram umidade em excesso, caso do tomate, algumas toleram bem períodos secos, como o abacaxi, então procurar obter o máximo de informações como essas sobre a planta a ser cultivada é ideal!
Passadas essas premissas então irmos verificar algumas características dos solos, dando ênfase nas mais comuns e mais fáceis de entender. A textura de um solo é relativa ao teor de argila ou areia desse solo, desconsideraremos o silte. Bem existem, basicamente, solos arenosos e argilosos, e cada um apresenta vantagens e desvantagens, inerentes a suas características, e as plantas tem preferência por um ou outro. Os solos arenosos são mais soltos, portanto apresentam menos possibilidade de compactação, apresentam boa drenagem, pois possuem um maior número de macroporos, isso propicia boa aeração, o que pode ser bom, mas por outro lado apresentam, conseqüentemente uma baixa capacidade de reter água, costumam possuir baixa fertilidade e apresentar teores de MO baixos. Já os argilosos, apresentam teores de argila acima de 60%, possuem uma maior capacidade de retenção d’água, geralmente são mais férteis, possuem maior teor de MO, mas por outro lado, tem facilidade de serem compactados, podem encharcar, porque apresentam maior número de microporos, podendo ficar com pouco ar, e portanto pouco oxigênio, levando a planta a ter dificuldade de desenvolver seu sistema radicular.
Uma coisa interessante, solos arenosos demandam menos adubo e calcário que os argilosos, mais tarde iremos discutir isso melhor. A cor do solo pode ser um indicativo de algumas características, de um modo muito geral, solos escuros, por apresentar maiores teores de MO, ou por serem oriundos de determinados tipos de rochas vulcânicas, apresentam maior fertilidade, solos muito claros, tendem a ser o contrário, solos vermelhos tendem a ser melhores que solos amarelos, esse tipo de coloração deve-se ao tipo de rocha de origem, mas tem muito a ver com o tipo de óxido de ferro existente nesse solo. Isso tudo é muito genérico e de um modo geral, a maioria das pessoas já tem uma noção sobre isso, não é a toa que a famosa “terra preta” é uma coisa tão popular, todo mundo “sabe” que terra preta é boa p/cultivar, não é mesmo?
As características físicas de um solo são muito difíceis de alterar, como por exemplo a textura, o que podemos fazer é descompactar o solo, com ação mecânica com enxada ou enxadão, em casa, ou arado, sulcador, subsolador e grades, em áreas rurais. Acrescentar MO de boa qualidade, pode melhorar algumas características físicas, como diminuir a densidade relativa, aumentar a capacidade de retenção d’água, etc.....
Já as características químicas podem ser alteradas com facilidade, com adubações e ou correções desses solos. Em seguida iremos falar alguma coisa sobre as características químicas ou físico químicas, as mais importantes para nossos cultivos!
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Noções sobre pH

Mensagempor roque em 16 Jul 2008, 10:20

Bem, continuando, agora iremos falar de pH e corretivos, coisa muito importante para o cultivo de qualquer planta, seja diretamente no solo, seja usando terra ou outro substrato em vasos ou outros recipientes.
O pH é potencial hidrogeniônico, corresponde a concentração de H+ em uma solução aquosa, na realidade mesmo o hidrogênio protônico ou H+, não existe isoladamente, ele rapidamente, após ser gerado por alguma dissociação, se liga a uma outra molécula, geralmente a água, gerando então o íon hidrônio, ou H3O+. A escala de pH corresponde a valores logarítmicos, então de 1 a 6,9999, temos um ambiente ácido, 7,0 é considerado neutro, e acima desse valor, o ambiente é básico ou alcalino. O pH que se calcula nas análises de solo é na realidade o pH da solução do solo, ou seja, da água disponível no solo, que possui íons dissolvidos, como já nos referimos anteriormente, certo? A grande maioria dos solos é ácida, principalmente os tropicais. Existem solos neutros e até alcalinos, como em algumas regiões próximas a montanhas e outros locais, ou próximo a jazidas de calcário. Próximo aos Andes, em países como o Equador, existem solos neutros de alta fertilidade, de origem vulcânica. Mas isso é a exceção. A nossa realidade são solos ácidos, alguns com pH bem baixos, beirando os 4,0, até menos, mas existem vários na faixa entre 4,5 e 5,5. Bom e qual a influência do pH para nossos cultivos? Isso, obviamente é bem complicado, teríamos que discutir muita química, que eu adoro, mas sei que não é muito acessível, talvez a grande maioria dos leitores, então, vamos simplificar bem. O pH tem uma ação muito direta na disponibilidade dos íons na solução do solo, isso por várias razões. Na absorção de íons de nutrientes, como já dissemos, as raízes das plantas os retiram diretamente da solução do solo, mas por um mecanismo de troca iônica, para haver um equilíbrio hidroeletrolítico, ou seja, a planta para absorver um cátion, por exemplo K+, troca esse potássio por um H+, se for Ca2+, 2H+, e se for um ânion, como H2PO4-, por uma hidroxila, ou OH-. Senão a planta, ao absorver cátions ficaria carregada de “energia positiva”, e a maioria dos nutrientes são absorvidos na forma de cátions. Esses íons sofrem, na própria solução do solo, interferências do pH, a mais importante é a solubilidade na forma de íons, pois o H+, favorece o deslocamento de cátions adsorvidos em partículas carregadas com cargas negativas, como Ca2+, K+, Na+ e Al3+, esse último, grande vilão das raízes das plantas, denominado de alumínio solúvel ou tóxico, quanto mais baixo o pH, maior a concentração de H+, e conseqüentemente maior a liberação dessa forma tóxica de Al3+. Como já dissemos anteriormente, as raízes quase não tem seletividade, então esse cátions é absorvido, junto com os demais disponíveis na solução do solo. O Al3+, tem uma capacidade enorme de se ligar ao fósforo, que se encontra solúvel na forma de fosfato, em pH ácido, na maioria de nossos solos predomina o H2PO4-, formando um sal insolúvel, então a medida que o pH baixa, aumenta o teor de Al3+, e diminui o teor de fosfato disponível, como nossos solos são, em geral bastante pobres em fósforo, ficando na casa de 1 a 3 ppm, a disponibilidade desse nutriente torna-se limitante para a maioria das culturas. O pH muito elevado também não é bom, o fósforo, passa a ser disponível na forma de (HPO4)2- ou até (PO4)3-, mas fica também suscetível a combinar daí com o Ca, formando também um sal insolúvel. O pH ideal para a maioria das culturas fica entre 5,5 e 6,5, abaixo de 5,5, temos a interferência do Al3+, e acima dos 6,5, os cátions começam a ser insolubilizados na forma de hidróxidos, como Al(OH)3, que é bom, mas Zn, Cu, Fe, Mn, etc....., tornam-se indisponíveis ou em concentrações muito baixas na solução do solo, impedindo também um bom desenvolvimento. Além de ser um fator que limita a disponibilidade de fósforo, o Al3+, quando absorvido também ocasiona vários problemas nas raízes, que passam a ficar com um desenvolvimento muito ruim, capacidade de absorver nutrientes baixa, enfim, o Al3+ tem uma ação tóxica aos tecidos vegetais, então diminuir ao máximo sua presença na solução do solo é extremamente benéfico as raízes das plantas, o que é fundamental ao cultivo da maioria das culturas. As plantas tropicais tem mecanismos de resistência ou tolerância ao Al3+ e a valores de pH baixos, algumas eliminam exudatos, tornando uma área próxima da raiz, denominada rizoosfera, com umpH mais alto, isso também facilita a proliferação de uma flora microbiológica benéfica, algumas bactérias tem a capacidade de solubilizar os fosfatos precipitados pelo Al3+, essa bactérias são denominadas de Bactérias Solubilizadoras de Fosfatos (BSF), em solos com pH mais elevados outras BSF, solubilizam os fosfatos precipitados por ação do Ca2+. Notem que começamos a falar de microorganismos do solo, coisa muito importante que ao longo dessa nossa discussão iremos nos aprofundar bastante. Uma coisa interessante é que fungos e bactérias tem preferências bem distintas, os fungos preferem os pH mais baixos, então nos solos ácidos sua população tende a superar a de bactérias, isso não é bom para a maioria das plantas, inclusive porque os fungos eliminam ácidos orgânicos no meio, fazendo com que o solo permaneça ou fique ainda mais ácido. As bactérias preferem pH mais elevados, acima dos 5,5, então em solos com pH ideais para o cultivo de muitas plantas, a população de bactérias supera a de fungos, inclusive porque as bactérias ao contrário dos fungos, absorvem ácidos orgânicos e eliminam exudatos alcalinos, mantendo o pH ou até promovendo sua elevação. Então como em tudo, existe um equilíbrio dinâmico, onde as populações de microorganismos estão sempre competindo e qualquer alteração promove uma alteração desse equilíbrio, estabelecendo um novo, por exemplo, ao fazermos a calagem com calcário, num solo ácido para cultivar nossas hortaliças, (a pimenta é uma hortaliça fruto), iremos promover um desequilíbrio, tornando as condições mais propícias ao desenvolvimento de bactérias, se ao mesmo tempo inoculamos novas bactérias com adição de MO, por exemplo esterco bovino, além de aumentarmos a população de bactérias, introduzimos novas bactérias, e com isso ajudamos a diminuir mais ainda a população de fungos. Claro, irão sobrar as formas de resistência, os esporos, e os fungos mais tolerantes as novas condições. Eu mesmo já falei em vários posts que a grande maioria dos fitopatógenos são fungos, então diminuir a população de fungos no solo, pode favorecer o controle de algumas doenças. As bactérias e os fungos, na realidade qualquer microorganismo do solo, como em qualquer substrato, estão sempre em uma verdadeira guerra! Alguns produzem e lançam no meio substâncias antibióticas, antifúngicas, inibidoras do metabolismo de outros microorganismos, então é como se cada fungo ou bactéria estivesse sempre numa luta com os outros, quem for mais forte ou tiver as melhores armas vence. Quando produzimos biofertilizantes sólidos ou líquidos, estamos produzindo em massa determinados tipos de microorganismos, então depois de um processo extremamente agressivo, terminamos com um produto rico em bactérias e até fungos, os mais resistentes, além desse material também conter várias substâncias inibidoras de crescimento de microorganismos mais “fracos”, entre esses figuram a grande maioria das formas vegetativas de fitopatógenos, daí a ação fungicida ou inibidora de alguns biofertilizantes líquidos, que ajudam a controlar ou prevenir muitas doenças.
Bom voltando ao problema do pH, na próxima vez, iremos falar de calagem, uso de corretivos, principalmente calcário e também sobre o uso do gesso agrícola.
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Corretivos de pH - calcarios agrícolas

Mensagempor roque em 17 Jul 2008, 10:54

Corretivos de pH

Bem como já vimos a realidade de nossos solos tropicais é possuir um pH ácido, entre 3,5 e 5,0, na sua grande maioria, embora possamos ter exceções. Alguns solos da região sul, mais precisamente na faixa de cerca da metade sul do Paraná até o Rio Grande do Sul, existem áreas de solos muito bons, alguns típicos de clima temperado, onde o pH é um pouco acima da média do resto do país, inclusive em muitas dessas áreas o cálculo de calagem usa algumas regras e fórmulas diferenciadas, podendo em geral, demandando metade da quantidade de calcário exigida por área, para correção do pH, além disso o efeito da calagem tende a ser mais duradouro, mas como dissemos isso é exceção e não a regra.
Bem calagem é o termo usado a incorporação ou adição de calcário agrícola com a finalidade de aumentar o pH do solo para um valor próximo ou entre aquele que citamos como “ideal”, ou seja, entre 6,0 e 6,5. O calcário é o corretivo de pH mais usado, porém não é o único, temos a cal agrícola e também podemos usar alguns resíduos industriais como corretivos. Para ser considerado corretivo, o material deve ter a capacidade de liberar os ânions hidroxila (OH-), carbonato (CO3-) ou carbonato ácido também denominado de bicarbonato (HCO3-). A hidroxila reage com o H+, produzindo água: H+ + HO- = H2O.
O carbonato ou bicarbonato, irão reagir também com o H+, formando ácido carbônico, que é instável e acaba se convertendo em CO2 e H2O, então esses ânions, tem a capacidade de retirar H+ do meio, ou produzino água, ou produzindo água e CO2, um gás que acaba escapando p/atmosfera. Bem outras substâncias podem ser usadas com a mesma finalidade, porém apresentam custos elevados, incompatíveis com a atividade agrícola, ou apresentam toxicidade, tem elevada capacidade corrosiva, e ainda podem alterar bruscamente o pH, sendo de difícil aplicação e controle. Como uma alternativa bastante viável em pequena escala, temos as cinzas de madeira, que podem ser obtidas em fornos e fogões caseiros ou de padarias e pizzarias, nas churrasqueiras de fim de semana ou de restaurantes, falaremos disso quando abordarmos fertilizantes e corretivos orgânicos ou alternativos, num tópico futuro, senão nos afastamos muito do foco desse momento.
O que é calcário agrícola? Bem de maneira simples, o calcário é rocha calcária moída. Essa rocha pode apresentar vários minérios diferentes e também em diferentes proporções. De um modo geral esses minérios apresentam os óxidos e carbonatos de Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg), como componentes químicos principais. Então dependendo da rocha de origem, existem calcários de vários tipos, mas classificamos, basicamente em três grupos, apesar de um deles ser muito raro no Brasil, eu mesmo nunca vi, nem encontrei p/comprar, são eles: CALCÍTICO, DOLOMÍTICO e MAGNESIANO, bom só pelo nome se pode ter uma idéia da composição, certo? O calcítico é obtido de rocha calcária onde predomina a CALCITA ou carbonato de cálcio quase puro, então esse calcário tem ação quase que exclusiva baseada na capacidade do CaCO3 de reagir com o H+, então serve muito bem p/corrigir o pH. Acontece que além de corrigir o pH a calagem também é uma maneira barata e fácil de fornecer Ca e Mg para a nutrição das plantas, dois elementos muito importantes para a fisiologia vegetal, o Ca, muito relacionado a composição da parede celular e de outras estruturas, sendo importantíssimo para as raízes. O Mg tem grande importância devido a ser um dos elementos constituintes da molécula de clorofila, fundamental para a fotossíntese. Por isso, quando possível é interessante utilizar o calcário agrícola dolomítico, onde o mineral existente em maior quantidade na rocha calcária de origem é a DOLOMITA, que apresenta tanto carbonato de cálcio, quanto carbonato de magnésio, em proporção muito boa, próxima da relação Ca/Mg recomendada. Finalmente temos o calcário magnesiano, muito raro no Brasil, onde a rocha de origem é rica em minérios constituídos de alto teor de Mg, seria indicado para solos muito pobres em Mg, mas que já apresentam teores bons de Ca. Notem que utilizo o termo calcário agrícola, porque isso quer dizer que a rocha moída pode ser usada como corretivo para plantas, sendo isenta de contaminantes como metais pesados, pois o calcário pode ser usado para produzir cal e cimento, mas nesse caso pode ter alguns contaminantes a mais que para uso agrícola, mesma coisa para a cal, tanto virgem (Cão), quanto hidratada (Ca(OH)2), que també pode ser usada como corretivo de solos, e para preparo de defensivos como a calda bordalesa, se o material não traz essa inscriçãocal p/uso agrícola, ou diz ser para uso em construção ou caiação, não se tem garantias de que não apresenta contaminantes, pouca gente sabe disso, inclusive, nas lojas de produtos agropecuários se vende qualquer tipo, mas isso não é o adequado, mas como ninguém controla isso, fazer o que?
A dolomita e a calcita também são vendidas “puras”, para uso em aquários e como aditivos para rações animais, fontes de Ca e Mg, alem do carbonato de cálcio, usado p/banho seco que a chinchilas gostam. Pode-se usar esses produtos em vasos, mas são caríssimos, as vezes com o valor de 1Kg desses produtos que podem ser comprados em Pets, se pode comprar um saco com 25 ou 40Kg de calcário dolomítico!
Agora vem o que interessa, como fazer calagem! Como vcs já devem estar imaginando, não é coisa tão simples como parece, porém deve ser rotina nas práticas agrícolas, então se usa muita aproximação e bom senso nessa atividade de fazer a calagem. Inicialmente, a técnica recomenda uma análise de solo, onde o resultado irá nos apresentar alguns parâmetros fundamentais, como pH, teor de nutrientes básicos, saturação de bases, teor de alumínio tóxico, etc..... Muito poucas pessoas são capazes de interpretar um resultado de análise de solos, mas não vamos entrar nesse mérito. Outra coisa fundamental, é que a amostragem de solo tem de ser muito bem feita para ser representativa da área a ser empregada, torna-se necessário utilizar uma técnica de coleta de amostra simples ou composta aleatória, essa amostra é enviada a laboratório de análise de solos. Nas EMBRAPAS, UNIVERSIDADES, e muitos outros locais de serviço público ou pesquisa são feitas essas análises, por preços até bem razoáveis. Para quem quer produzir em áreas maiores que 200m2, eu já recomendo, principalmente se for para fim comercial. Em cultivos domésticos e ou não comerciais, se for possível, muito bem, mas eu não acho necessário, porque o volume de recursos não compensa, além disso podemos fazer uma calagem básica, sem maiores cálculos. Quem vai trabalhar áreas grandes, comercialmente, daí antes de mais nada, tem de procurar onde vai fazer a análise e verificar como proceder amostragem e como encaminhar o material, certo? De posse do resultado, consultar técnico agrícola ou agrônomo, de preferência de sua região, de algum órgão de extensão rural, pesquisa, apoio a produção, etc. Esse profissional irá fazer a análise dos parâmetros e calcular as quantidades de calcário e adubos para sua propriedade, como se fosse uma consulta médica, faz uma anaminese, verifica o resultado dos exames e prescreve os medicamentos certos na dose adequada. Acho que isso não é muito a realidade da maioria dos foristas aqui, a não ser os nossos grandes produtores, então vamos dar uma recita básica, com algum fundamento técnico, coisa aproximada, mas é a que eu utilizo, com razoável sucesso. Claro, já coloquei isso em algum post meu, mas vou repetir, procurando detalhar mais.
Inicialmente o solo não é homogêneo desde a superfície até maiores profundidades. Então para facilitar muita coisa criou-se o conceito de horizontes do solo, ou seja, o perfil do solo é dividido em horizontes, que simplificando são faixas ou camadas de espessura variada, com algumas caricterísticas diferentes. Para verificarmos isso é necessário cavar uma trincheira, em forma de meia cunha, tipo uma rampa, com a parte mais funda, entre 1,0 a 1,5m, nessa “parede”, podemos visualizar os horizontes e estudá-los, esse procedimento em propriedades rurais com produção agrícola, também deveria ser rotina, mas só vi isso na universidade, para pesquisa ou ensino, e em aulas ou dias de campo, ou demonstrações em alguma atividade mais técnica. Bem o que interessa é que a primeira camada, denominada horizonte A, tem uam espessura que varia entre 5 a 15cm, depois temos zonas de transição denominadas de AB e BA, para chegarmos então no horizonte B, isso varia muito de local para local e de tipo de solo, aliás essa verificação junto com análise de solo e outras informações serve para a classificação correta e científica do tipo de solo. Bem as plantas, principalmente hortaliças tem raízes que atingem profundidades entre os horizontes A e B, muitas atingindo a faixa AB, outras até a BA, e algumas chegam no horizonte B. Porém o que interessa mesmo é a profundidade desses horizontes, porque a MO, nutrientes e pH, além da atividade microbiológica, todos parâmetros muito importantes devem ser considerados com maior ênfase, nas profundidade alcançadas pelas raízes das plantas que estamos cultivando. Então costuma-se dividir as análise de solo em faixas de 0 a 20cm, de 20 a 40cm e até 40 a 60cm, embora essa última, raríssima, e a segunda muito pouco utilizada, mais importante talvez para fruticultura. A grande maioria das análises é feita considerando os 20cm iniciais, onde devem estar contidos o horizonte A e a faixa AB, nessa zona existe maiores teores de nutrientes, MO e o pH é o mais importante, pois nessa profundidade TODAS as plantas lançam raízes absorventes, aquelas raizinhas, finas, parecendo uma “cabeleira”, essa raízes absorvem quase todos os nutrientes e boa parte d’água que as plantas retiram do solo. Claro, algumas plantas lançam raízes profundas, penetrando vários metros no solo, mas essas raízes absorvem poucos nutrientes, embora o façam, sendo mais importantes na absorção d’água. Bem tudo isso para dizer que os cálculos de calagem e também de adubação, levam em conta apenas esses 20cm, mas é bom ter essa noção, mais tarde quando falarmos de adubação e como preparar covas e canteiros, isso será útil.
Voltando a calagem, sem ter análise de solo, podemos ter uma boa margem de acerto, sabendo que no Brasil, na região sul, a coisa varia de zero a umas 2 ou 3 toneladas (ton = 1000Kg) de calcário por hectare (ha = 10.000m2), isso varia muito, de local e tipo de solo, mas no resto do país varia dos 3 a 6 ton/ha, com uma “média” de umas 4 ton/ha. Isso tudo muito aproximado, o que estamos fazendo é tipo um chute calculado, certo! Vamos lá, a coisa mesmo na aproximação não é tão fácil, se fosse com análise de solo e levando em conta a necessidade da cultura, seria muito, mas muito mais complicado, com umas fórmulas matemáticas, que a grande maioria aqui não ia nem querer ver!
Bem, 1 ha = 10.000m2, como estamos levando em conta os 20cm, ou 0,2m iniciais de profundidade, temos: 10.000m2 x 0,2m = 2.000m3, pode-se usar aproximadamente esse volume em massa fazendo uma relação de que 1 litro de solo tem 1Kg de massa, embora isso seja aproximado, mas iremos usar volume, porque isso facilita, na hora de misturar ingredientes para formular um substrato de enchimento para vasos, floreiras ou cateiros.
Bom, então temos nossa “média” nacional, do sul p/cima, de 4 ton/ha logo:
4.000 Kg de calcário agrícola em 2.000 m3 de solo, para calagem média da camada de 0 a 20cm do solo a ser cultivado. Então, podemos fazer várias relações:
4.000 Kg de calcário agrícola em 2.000 m3
4. Kg de calcário agrícola em 2. m3
4. Kg de calcário agrícola em 2.000 litros
2. Kg de calcário agrícola em 1.000 litros
0,2. Kg de calcário agrícola em 100 litros
200g de calcário agrícola em 100 litros
Fui devagar p/todos acompanharem o que eu fiz, certo? Quem tem mais raciocínio matemático deve ter achado exagero!
Bem como a maioria também pode ter alguma dificuldade de pesar em casa o calcário, pode-se usar um copo de 200ml, mas dependendo do calcário, isso varia muito, e também da umidade, melhor usar um copo descartável de 300ml, aquele p/chopp, que é isso aí que eu faço também. Então vc usa esses 300ml de calcário agrícola para 100 litros de mistura, que pode ser terra (solo), areia, MO (esterco, húmus, etc) e adubos, mais ou menos essa “fórmula” que já coloquei em alguns de meus posts.
Pode-se fazer algo semelhante com uma relação em área, daí temos:
4.000 Kg de calcário agrícola em 10.000 m2
4. Kg de calcário agrícola em 10 m2
0,4 Kg de calcário agrícola em 1 m2
400g de calcário agrícola em 1 m2 de solo a ser corrigido, utilizando a mesma prática preconizada acima, arredondamos para 500 ml ou ½ litro por m2, bem simples e prático, vc lança essa calcário na área a ser corrigida, tipo um canteiro de 2m2, 1 litro de calcário, daí com uma enxada ou enxadão, revolve bem esse solo e pronto, agora tanto na mistura para enchimento de vasos, canteiros, floreiras, etc, quanto na terra, para plantio direto ou fazer canteiros, o correto mesmo é proceder a calagem 60 a 90 dias antes do plantio, isso, é necessário para dar tempo que o calcário possa reagir aumentando pH e eliminando o Alumino tóxico. Esse reação se estende por muito tempo até anos, uma calagem bem feita pode corrigir o pH até por 3, 4, 5 anos! A velocidade de reação é influenciada por alguns fatores de qualidade do calcário, principalmente tamanho das partículas, e também composição da rocha de origem. Por hoje já está bom, outro dia continuamos!
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Complemento sobre correção de solos ácidos

Mensagempor roque em 18 Jul 2008, 09:18

Pessoal, andei lendo e encontrei muitos erros ortográficos e vários erros de português, peço desculpas, mas é que digito meio rápido e mesmo tentando corrigir muita coisa escapa.

GESSO AGRÍCOLA

O gesso agrícola é um material que tem uma grande aplicação, embora não seja um corretivo, pois não tem capacidade de liberar os ânions que podem neutralizar o H+ presente na solução do solo, o gesso é considerado um condicionador. O gesso é constituído por um minério de rocha composto por sulfato de cálcio. Esse material pode ser aplicado em solos compactados, tem várias funções benéficas, funciona como uma fonte de enxofre e cálcio, inclusive tem uma mobilidade maior com fonte de cálcio que o calcário, ou seja se vc aplica calcário, o Ca, chega a um profundidade menor que o Ca oriundo de uma aplicação de gesso agrícola. Plantas que tem uma raiz que se aprofunda mais se beneficiam muito disso. O gesso ajuda a diminuir a compactação, claro, isso é mais efetivo com ação mecânica, como já dissemos anteriormente. Por isso o gesso acaba tendo uma função paralela, mesmo não neutralizando o H+, tem uma certa capacidade de neutralizar uma parte do alumínio tóxico, pois reage com esse, liberando o Ca2+, e tornando o Al3+, insolúvel na forma de um sulfato de alumínio. Então o gesso pode ter uma ação coadjuvante ao do calcário.
Quando falarmos de fertilizantes orgânicos e alternativos iremos comentar sobre as cinza, que apresentam também boa ação como corretivos de pH, por isso a prática de derrubar a vegetação e queimar para preparar o solo de novos cultivos agrícolas.
Hoje tenho pouco tempo, então vai ser só isso, semana que vem começamos a entrar no tópico adubação, falando inicialmente dos nutrientes mais importantes encontrados nois famosos adubos NPK!
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adubos e fertilizantes - introdução

Mensagempor roque em 18 Jul 2008, 21:56

Bem de um modo geral fazer adubação ou fertilização, significa fornecer nutrientes para plantas. A maneira mais comum é acrescentar adubos ou fertilizantes ao solo, seja incorporando mecanicamente, seja depositando na superfície, próximo a planta que se deseja nutrir. Como já vimos as plantas só utilizam e absorvem nutrientesque estão dissolvidos em água e na forma de íons. Outras formas de fornecer nutrientes a plantas são a adição de fertilizantes na água de irrigação, processo conhecido como fertirrigação, ou fazer a nutrição via foliar pulverizando a parte aérea das plantas com soluções aquosas contendo os íons nutrientes dissolvidos, é o que denominamos de adubação foliar.
Existem dois tipos básicos de adubos ou fertilizantes, essa palavras podem ser usadas como sinônimos, os minerias ou químicos e os orgânicos ou naturais. Inicialmente iremos abordar somente os mineria sou quícos, falando dos orgânicos, naturias e alternativos depois.
Os nutrientes são elementos químicos que são necessários e fundamentais aos processos metabólicos das plantas. Alguns de maior importância e que são demandados em maiores quantidades foram classificados como MACRONUTRIENTES, são: Nitrogênio (N), Fósforo (P), Potássio (K), Enxofre (S), Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg), os demais por serem demandados em
menores quantidades e/ou não serem tão "importantes" no metabolismo, ou serem demandados mais especificamente por alguns grupos de plantas e outras não foram classificados como MICRONUTRIENTES, são: Boro (B), Zinco (Zn), Cobre (Cu), Ferro (Fe), Manganês (Mn), Molibdênio (Mo), Cobalto (Co) e Selênio (Se). Em algumas listas se inserem atualmente mais
alguns, mas não vamos entrar em detalhes. Esse grupo básico é o que denominamos de nutrientes essenciais as plantas, a classificação de macro e micro nutrientes ainda é muito usada, mas nom mundo acdêmico já caiu em desuso, porque na realidade todos os nutrientes essenciais são importantes, mas não vamos entrar nesse mérito. Existem também algumas
divergências sobre se um elemento é ou não essencia, como o Si, I, Ti, e outros, mas também é coisa muito aprofundada.
Voltando aos nossos nutrientes. O grupo mais famosos, utilizado e sobre o que se tem maior conhecimento, inclusive popular é o NPK. Realmente esses nutrientes são muito importantes e são também os que demandam maiores quantidades nas adubações. A maioria dos foristas daqui já ouviu falar e até já usaram ou usam algum adubo NPK, certo? Existem várias fórmulas comerciais disponíveis, tipo 10-10-10, 4-14-8, 6-8-6, 20-18-12, etc..... Esse números são os teores relativos, em massa equivalente as formas solúveis padrão, dos nutrientes,
Ex: o 10-10-10, tem 10% de N, 10% de P e 10% de K, então se vc usar 10g desse adubo para fazer cobertura em um vaso, vc estará colocando 1g de N, 1g de P e 1g de K, a disposição da planta nesse vaso.
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Re: Solos e substratos, adubos e fertilizantes.

Mensagempor Deivid em 20 Jul 2008, 10:43

Roque, hoje consegui um tempo para ler todas as postagens deste tópico.

Amigo, realmente elas são de uma importância imensurável para os participantes de nosso fórum. O conhecimento e as informações que você sintetizou aqui serão fundamentais para o sucesso do nosso cultivo. Este tópico deveria ser fixo e pré requisito para todos os novos foristas!!

Roque, obrigado por compartilhar toda esta sabedoria conosco.

Parabéns :clap: :clap: :clap:

Abraços
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Deivid

Mensagempor roque em 20 Jul 2008, 19:19

"Este tópico deveria ser fixo e pré requisito para todos os novos foristas!!"
Menos meu colega!
Agora deixar fixo pode ser bom, não sei, depende de algum moderador ou do Luca!
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Re: Solos e substratos, adubos e fertilizantes.

Mensagempor Betto Eça em 20 Jul 2008, 20:18

O Deivid tem razão Roque...
Voce tem nos salvo de poucas e boas...
acho tambem que este tópico deveria servir de cartilha... ;) ;)
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Re: Solos e substratos, adubos e fertilizantes.

Mensagempor Deivid em 20 Jul 2008, 22:23

Betto e Roque,

caras, não to brincando não quando falo que deveria ser pré requisito :^) :^)

eu tenho percebido que, assim como em outros hobbys, entram muitos novos foristas e por desconhecerem do assunto ou por não terem certeza de que é isto que querem mesmo, acabam iniciando grandes semeaduras e depois simplesmente somem... na maioria das vezes acabamos sabendo que desistiram devido as dificuldades encontradas.... então eu acho que deveria ser criada uma forma de preparação do novo forista, onde ele antes de sair pedindo sementes, entre em contato com as informações necessárias, fique sabendo das dificuldades, do manejo, etc.... e então, se ele tiver certeza de que realmente quer e pode dedicar um pouco do seu tempo para o cultivo das ardidas, ele poderia começar a pedir as sementes e iniciar seu cultivo com a ajuda do pessoal....

bem, esta é uma opinião muito pessoal, mas acho que nosso fórum não pode ficar a merce de aventureiros, porque a participação destes pode prejudicar o sério trabalho que é realizado por aqui...

Abraços
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Re: Solos e substratos, adubos e fertilizantes.

Mensagempor roque em 21 Jul 2008, 08:33

Já estamos pensando em fazer uma apostila, assim que a pessoa se cadastrar, recebe uma mensagem oferecendo a mesma, junto iria um pacotinho com sementes básicas, assim o novo forista teria as informações e o material, se coisa der certo, logo iremos colocar alguma informação sobre isso! ;)
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Deivid, Betto e Roque

Mensagempor Alda em 21 Jul 2008, 11:21

A idéia da cartilha é excelente. :clap: :clap:
Desde minha inscrição já li inúmeros artigos postados e os tenho salvo em pastas especificas.
O problema é que as vezes lemos alguma dica no meio de uma "conversa" entre os foristas e quando precisamos não lembramos onde ela esta.
Se os artigos forem organizados em cartilhas vai realmenbte facilitar para os novos, como eu.
Espero que dê certo. :D

Abçs
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Alda

Mensagempor roque em 21 Jul 2008, 12:30

A ideia é uma apostila bem encorpada, com uma série de assuntos, tipo um livro ou manual mesmo, já estamos vendo isso, assim que tiver novidades o Luca deve colocar algum aviso, se der certo pode ser muito útil p/o pessoal que está iniciando seus cultivos, amanhã coloco novo tópico aqui!
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Re: Solos e substratos, adubos e fertilizantes.

Mensagempor Alda em 21 Jul 2008, 13:05

Vou fucar atenta para as novidades.

Abçs
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Re: Solos e substratos, adubos e fertilizantes.

Mensagempor Deivid em 21 Jul 2008, 22:54

Roque, esta idéia da apostila é muito boa. Ainda mais se ela for elaborada ao seu estilo, ensinando a aprender... precisamos fazer com que o pessoal aprenda a pensar estrategicamente, raciocinar sobre sua realidade e suas necessidades e assim conseguir o sucesso em seu cultivo.

Espero que ela se concretize.

Abraços
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Re: Solos e substratos, adubos e fertilizantes.

Mensagempor roque em 22 Jul 2008, 08:44

Esperamos que a apostila saia de verdade, depende de mais alguns colegas foristas para isso.

Bem hoje estou meio enrolado, então só amanhã colocarei mais alguma coisa aqui, agora pessoal, caso tenham alguma dúvida ou questionamentos, por favor coloquem sua mensagem, não sou dono da verdade, estou aberto a discussão! ;)
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Re: Solos e substratos, adubos e fertilizantes.

Mensagempor Betto Eça em 22 Jul 2008, 14:11

Roque já estou organizando o material deste tópico para organizar uma cartinha.
seria muito bom se voce planejasse um organograma programatico para fazermos um indice para a cartilha que seria disposta para download em PDF ou Word. ;)
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Re: Solos e substratos, adubos e fertilizantes.

Mensagempor jonatan mateus em 22 Jul 2008, 19:17

Bela ideia de todos!!!

Acredito que poderia ser disponibilizada em PDF e word como o betto falou...
mas acredito que poderiam fazer uma apostila impressa (por encomenda), e após
retirada as despesas, destinar o lucro para o forum!!!

Foi só uma ideia!
Abraços!
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