fazendo Composto

Discussões sobre diferentes técnicas de plantio (solo, vasos, hidroponia etc.)

fazendo Composto

Mensagempor Sinval Braga em 28 Abr 2011, 21:37

Ola amigos
Faço Composto ORganico. É o fertilizante mais compoleto que conheço. Alem de barato (para não dizer "de graça"), é facil de se fazer, e nos toma pouco tempo. Graças ao Composto Organico, posso fazer diversas experiencias e testes, sem gastar nada. Atualmente estou fazendo testes com tomates e pimentas usando composto puro.
Para isto, uso pelo menos 5 tipos diferente de material. Um compensa e/ou supre o outro em termos de macro e micronutrientes. Não uso esterco animal. Uso aqueles restos que normalmente seriam amontoados e ateado fogo. Ex: grama roçada, folhas e poda de arvores, limpesa e podas de jardim, bagaço de cana, ramas de mandioca, palhas de milho etc etc etc..Nossas cidades são fartas destes materiais.
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Re: fazendo Composto

Mensagempor Sinval Braga em 28 Abr 2011, 21:38

Outra foto de um composto novo (4 dias)
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Re: fazendo Composto

Mensagempor Sinval Braga em 28 Abr 2011, 21:40

Finalmente um pronto. Obs: tenho constantemente umas 5 pilhas.
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Re: fazendo Composto

Mensagempor matheussoli em 29 Abr 2011, 07:58

Sinval. Poderia descrever como é feito?
Pedi a DEUS um conselho para encontrar alegria...
DEUS mostrou-me a terra e disse:
TRABALHA , SEMEIA E CRIA!

Meu diário! Biquinho - Inundando os botecos
Meu Blog Espaço du cumpadi
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Re: fazendo Composto

Mensagempor Sinval Braga em 29 Abr 2011, 11:25

Claro amigo Matheus.
Como disse, procuro usar diversos tipos de materiais. Faço a coleta, se precisar trituro tudo. A umidade inicial deverá ser em torno de 55 a 60%. Faço a pilha, e dentro de 8 horas a temperatura ja deverá sem superior a ambiente. Com 3 a 4 dias, revolvo a pilha. Nesta primeira revolvida, as diferenças são mínimas. A temperatura estará em torno de 60ºC. Se for necessario volto a regar, mas só se estiver necessitando de irrigação. Refaço a pilha. Um detalhe: a função primordial destas reviradas, é para oxigenar a pilha. Continuando. Apos 4 a 5 dias, volto a revirar a pilha. Agora o material estará com uma cor diferente, como um marrom escuro, em quase toda pilha. A tempera estará entre 60 a 70ºC. Refaço novamente a pilha. Na 3ª revirada, o material estará cinza bem escuro, e vc vai notar que parte daquele material ja estará irreconhecivel. Na 4ª revirada, quase todo material estará irreconhecivel, estará quase preto. Refaça a pilha e aguarde a temperatura baixar para 43ºC. Qdo atingir esta temperatura, estará no ponto ideal para ser usado. Neste ponto, o composto começa a liberar os nutrientes exenciais a planta. É chamada de fase de estabilização. A partir dai, começará a fase de humificação, ou seja, aquele material será "atacado" por um novo genero de bacterias, as responsavéis pela humificação.
Então amigo, o interessante é ter o composto junto as raizes das plantas na fase da estabilização, que é quando começla a liberar os nutrientes.
Qualquer dúvida volte a perguntar.
Abrç
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Re: fazendo Composto

Mensagempor nanabenites em 04 Mai 2011, 01:02

Obrigada pela dica!!
muito boa!
"Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio".

Meu diário : viewtopic.php?f=7&t=12756
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Re: fazendo Composto

Mensagempor Sinval Braga em 04 Mai 2011, 11:36

Nana
Eu é que agradeço pela atenção.
Sinval
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Re: fazendo Composto

Mensagempor Sinval Braga em 29 Jun 2011, 20:58

Mostrei o composto que faço, agora vou mostrar minha pequena horta feita com este composto.
Anexos
RECO0236.JPG
RECO0231.JPG
RECO0234.JPG
RECO0237.JPG
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Re: fazendo Composto

Mensagempor Sinval Braga em 29 Jun 2011, 21:14

esta horta que mostro acima, é no quintal de minha casa, feita em caixas e vasos. Esta outra e feita no solo, com muito composto organico. Espero que gostem.
Anexos
SAM_0320.JPG
alface americana
SAM_0321.JPG
SAM_0323.JPG
SAM_0327.JPG
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Re: fazendo Composto

Mensagempor vhalveruth em 01 Jul 2011, 09:56

Parabens, este composto parece ser mt bom mesmo, assim pretinho e bem drenante.

Fala mais como você faz, coloque mais foto dos processos... imagino que alem de mim, temmuita gente querendo saber como que funciona esta sua técnica

abraços
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Re: fazendo Composto

Mensagempor Sinval Braga em 01 Jul 2011, 12:49

Vhalveruth

A maneira como faço composto, esta descrita acima.

Eu gosto muito de pimenta, mas não sei nomes. Eu experimento uma pimenta, se gosto separo as sementes e planto. Como a pimenta é uma solanácea, manipulo o composto para fazer um substrato especifico. Planto diretamente no local difinitivo, sem fazer transplantes. Até hoje não perdi nenhuma semente.

Esta é a vantagem de se fazer seu próprio composto. Vc manipula formulas de substrato.
Alem do composto faço também farinha de osso e biofertilizante.

Faça o seu, que tenho certeza; não se arrependerá. Estes substratos comprados, são generalizados, ou seja, serve para tudo, mas em tudo falta um pouco.

Abração
Sinval
Anexos
SAM_0348.JPG
Processo já iniciado
SAM_0338.JPG
Composto estabilizado
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Re: fazendo Composto

Mensagempor ThiagoST em 06 Jul 2011, 23:20

Olá! Novato na área!kkkk

Comecei a me interessar em fazer compostagem à uns 6 meses atrás, com restos de leguminosas e restos de palhas e de capinas aqui da chácara! Coisa bem amadora mesmo! :P
Vejo que as pessoas aqui são bem atenciosas, então queriar sanar algumas dúvidas! Se puderem ajudar claro! ^^

Então, já peguei um certo manejo com compostagem, e estou tendo a chance de adquirir uma trituradora forrageira( Trapp 1,5 cv) e em boas condições de uso! Para triturar bagaço de cana, capim-elefante e braquiara existente por aqui! Acredito que iria melhorar a qualidade do composto pela uniformidade e aceleraria o tempo de compostagem! Será que vale pena a aquisição dela?
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Re: fazendo Composto

Mensagempor Sinval Braga em 08 Jul 2011, 12:37

Thiago, sem sombras de dúvida, melhora em muito a qualidade do composto, pois triturando vc tera uniformidade no material.
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Re: fazendo Composto

Mensagempor roque em 09 Jul 2011, 19:46

Uma trituradora melhora muito a situação toda, com o material triturado, além de uniformidade, o processo se torna mais rápido, porque qto menor o tamanho das partículas mais rápida e efetiva é a ação dos microorganismos decompositores.
O melhor material é o mais fresco possivel, verde, porque está umido, materiais secos tem de ser hidratados e isso demora um tempo, esse tempo torna-se um diferencial, enquanto o material verde ou fresco está fermentando, o seco está sendo hidratado. Qdo se tritura o material seco, como palhas e resíduos agrícolas, o material triturado tende a se hidratar mais rapidamente acelerando também a decomposição.
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Re: fazendo Composto

Mensagempor Sinval Braga em 10 Jul 2011, 11:04

Roque, bom dia


Eu procuro sempre usar materiais frescos. Uso podas de arvores recem podadas. Estes materiais frescos já possuem os microorganismos que irão decompor o material. Claro que as vezes uso também folhas secas e palhas, mas é evidente que os resultados com materiais fresco é bem melhor.
Abraços
Sinval
Anexos
RECO0166.JPG
Material ainda bruto
RECO0175.JPG
Material triturado
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Re: fazendo Composto

Mensagempor roque em 11 Jul 2011, 08:39

Trabalhar com material fresco triturado ´muito bom mesmo.

Quanto a: "Estes materiais frescos já possuem os microorganismos que irão decompor o material."

Realmente é verdade que qualquer material orgânico tem uma microflora residente, geralmente capaz de proporcionar uma parte da decomposição e bioestabilização desse material num processo de compostagem, mas sempre existe necessidade de incorporar outros microorganismos decompositores ao processo. Naturalmente isso ocorre de várias maneiras, por contato com o solo, por fezes de animais, tipo aves, passarinhos, que vizitam a pilha, pelas fezes de insetos e também pelos seus corpos em decomposição, qdo morrem na pilha, pelos microorganismos veiculados pelo ar e pela água, principalmente da chuva, etc..............
Para acelerar e tornar o processo melhor é sempre recomendavel usar alguma fonte de inóculo para enriquecer essa microflora. Um dos inóculos mais eficientes são as fezes frescas de ruminantes, como bovinos, caprinos e ovinos, fezes de animais herbívoros monogástricos, como cavalos e coelhos e por fim fezes de quaisquer animais, como aves e suinos, po exemplo. Geralmente as fezes frescas tem cerca de 50% do seu peso seco em microorganismos, muitos deles ainda vivos e viáveis. Em algumas literaturas que trazem textos sobre compostagem e bioestabilização de matéria orgânica, é comum se fazer alguma citação sobre uso de inóculos para acelerar e melhorar os processos. Já existem no mercado produtos contendo microorganismo decompositores selecionados para serem acrescentados em processos de decomposição de resíduos dos mais variados, de esgotos a fração orgânica do lixo urbano. Outra maneira de fazer um inóculo sem usar esterco animal é sempre deixar uma parte da pilha já compostada para misturar numa pilha nova, ou então usar o material que sobrar após passar por uma peneira grossa. Esse material semi-compostado, veicula uma boa qtde de microorganismos decompositores e pode aumentar rapidamente a microflora da pilha em compostagem. Os microrganismos são os grandes agentes numa compostagem e manter uma boa diversidade desses agentes é sempre desejável. Tenho feito compostos orgânicos, biofertilizantes, vermicomposto e trabalhado com matéria orgânica a mais de 15 anos e não deixo de usar sempre que possivel uma boa qtde de esterco bovino o mais fresco possível, é um dos melhores materiais para inocular num processo de compostagem.
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Re: fazendo Composto

Mensagempor Sinval Braga em 11 Jul 2011, 13:30

Roque

Muito boa esta troca de informações. Desde meu primeiro contato com composto organico, também há uns 15 anos atras, fiquei fascinado, e nunca mais parei. Hoje alem do composto organico, faço também o biofertilizante e farinha de osso. Costumo fazer misturas, adequando para cada tipo de cultura, isto é, fazendo um substratos especificos.

O composto organico, me permite fazer diversas experiencias com canteiros, vasos, preparação de mudas e outras, sem ter que gastar na compra dos substratos. Morei muito tempo em MT, onde tenho uma chacara de 4 hectares, e onde era "meu laboratório". Logo quando estava iniciando nesta arte de fazer composto, estava com uma pilha quase pronta, e meu funcionário achando que era lixo, ateou fogo. O fogo só queimou superficialmente o composto, devido a umidade em seu interior. Plantei aboboras sobre aquele composto queimado. Resultado: tive uma safra de aboboras como nunca tinha visto. Nós não sabiamos o que fazer com tantas aboboras.
Citei esta passagem, para dizer o quanto de satisfação e prazer tenho ao fazer meus compostos.

Bem Roque, desde que entrei neste forum, tenho acompanhado seus tópicos. Aprendi mais uma com vc,- o biofertilizante aerobico. Logo que li, tratei de faze-lo em seguida, e hoje já tenho e mantenho um garrafão de 20 litros sempre cheio.

Apesar de não ser um "As", gostaria de estar sempre trocando informações com vc.
Abraços
Sinval
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Re: fazendo Composto

Mensagempor roque em 11 Jul 2011, 17:24

É realmente fascinante fazer os próprios fertilizantes, usar estercos e resíduos, cinzas e compostos e só com isso poder cultivar todos os vegetais. Faz parte de uma filosofia de produzir o próprio alimento, e isso seria, por assim dizer, mais uma etapa, ou seja, produzir também o "alimento" de nossas plantas. Sempre usei fertilizantes orgânicos, com uns 8 a 9 anos, desde a primeira vez que recordo de meu pai e minha mãe fazendo horta no quintal, usavam esterco de gado, depois bem mais tarde, em Natal passei a criar minhocas do tipo gigante da califórnia, meio que por acidente, comprei um saco de humus e ao abrir para usar numa de minhas plantas, notei que havia um monte de minhoquinhas, isso foi em 1996 ou 97. Qdo vi aquelas minhoquinhas resolvi criar elas e fazer meu próprio humus, fui pesquisar, naquela época ainternet não era comom hoje e só consegui saber que se usava esterco. Passei a comprar sacos de esterco seco numa floricultura, vinha esterco de vaca misturado com de cabra, eu molhava tudo e colocava num tanque de cimento que tinha fora de uso no quintal, com isso tive uma minhocultura razoável, minhocas enormes e humus suficiente para usar em todos os canteiros e covas que podia ter no meu quintal, foi muito bom. Empolgado, comecei a ir numa feira de produtos orgânicos, novidade também em Natal, e lá ouvi falar do biofertilizante, resolvi fazer com resíduos orgânicos produzidos em casa e foi um fiasco, fedia horrores e minha mulher achava aquilo horrivel, acabei desistindo. Qdo cheguei a Manaus, em 2000, ao comprar um saco de composto orgânico e outro de humus de minhocas, descobri que era feito em Manaus mesmo, numa chácara, descobri onde era e comecei a suar o material, vi as leiras de compostagem, comecei a aprender mais pela internet, fiz vestibular para agronomia na universidade federal do amazonas e um de meus colegas de turma era afilhado do dono dessa chácara, inclusive trabalhava com o padrinho produzindo o composto e no minhocário. Então aprendi como fazer compostagem dessa forma, mas não tinha como fazer. Depois comprei um terreno com 1000 m² em frente de uma marcenaria, que inclusive usava o terreno para descartar serragem e maravalha, tive de fazer um aterro nessa terreno e mantive o recbimento de serragem, mas só a madeira pura, assim obtive uma matriz orgânica, ao qual eu acrescentava todo tipo de resíduo orgânico, com isso montei, a semelhança da chácara que eu já conhecia, leiras de compostagem de cerca de 1,5m de altura e coisa de uns 6 a 7m de comprimento, junto com podas de grama, folhas de árvores, fração orgânica do meu lixo, restos de feira, etc, etc..... Juntamente tinha uma minhocultura em canteiros de tijolo. Resultado, qdo vendi o terreno e comprei outro, onde construi minha casa, tive de contratar um caminhão vasculante para levar cerca de 10m³ de composto e uns 2m³ de humus de minhocas, que apliquei no novo terreno. Continuei a produzir composto, mas em menor escala e continuei com a minhocultura. Qdo entrei no mestrado de ciências do ambiente quiz trabalhar com alguma coisa sobre isso, ou seja, utilização de resíduos orgânicos que fossem um problema ambiental e pudessem ser usados como fertilizante orgânico. Foi uma guerra, não havia orientador que se aceitasse isso, era trabalhoso, dificil, pouca fonte de pesquisas, pouca literatura publicada em periódicos, etc, etc, etc, na verdade em poucas universidades existem núcleos de pesquisa sobre o assunto e eu como já tinha experiência e conhecimento empírico, além de ser farmaceutico e estar cursando agronomia, já tinha um conhecimento razoável sobre o assunto, mas não haviam professores "especialistas" nesse tipo de assunto. Consegui com muito custo um professor da química, que pesquisava química ambiental, mais na parte de água de rios e igarapés de manaus e também contaminação do solo e da água com metais pesados, sua especialidade, que aceitou ser meu orientador, o projeto inicial teve de ser modificado e adaptado 3 vezes, foi complicado, até que eu descobri uma maneira de fazer funcionar quase sem verba e sem incentivo nenhum, juntei lodo de esgoto de uma estação de tratamento de lodo retirado de fossas sanitárias com serragem de madeira e outros materiais, para num processo aparentemente inédito para esses materiais, fazer a vermicompostagem, usando minhocas detritívoras vermelhas da califórnia, converter o material que havia em excesso e era considerado um passivo ambiental, em fertilizante orgânico de alta qualidade. Uma das pesquisas realizadas foi a quantificação no lodo e nas misturas a serem vermicompostadas dos metais pesados que pudemos fazer, que foram poucos, pois eu não tinha verba nenhuma para a pesquisa. A coisa saiu e terminei a dissertação com apoio da empresa de tratamento do lodo de fossas sanitárias, única de Manaus a fazer isso, mas que obviamente, não tinha o que fazer com o lodo que juntava nas lagoas de decantação e minha pesquisa abriu um horizonte para isso. Bom resumo, a pesquisa foi academicamente fraca, porque a pesquisa ficou um pouco aquém do que seria desejado, mas usei tudo que podia e escrevi a dissertação, depois de 2 anos consegui publicar numa revista, mas o trabalho particionado e com alterações. Resumo de tudo isso, duas coisas: Primeiro - ainda existe muita coisa a se fazer e muito conhecimento novo a ser produzido, cerca de 50% ou mais de todos o volume de resíduos, inclusive lixo e esgotos, são orgânicos e se prestam, de alguma forma a serem usados como fertilizantes, são descratados de forma indevida e se tornam um dos maiores problemas ambientais que enfrentamos, poluem e contaminam solo e águas superficiais e subterrâneas. Segundo: Pouca gente tem realmente conhecimento teórico e prático sobre o assunto, os que tem conhecimento teórico não trabalham muito com isso e os que tem conhecimento prático, poucos tem algum conhecimento acadêmico. Os poucos trabalhos acadêmicos sobre o tema, assim como o meu, acabam sofrendo por falta de recursos, para vc ter ideia recorri a duas prefeituras, a de Manaus tinha inclusive um serviço de coleta seletiva, uma enganação, ficaram de me auxiliar, dispor de material e nunca consegui nada, qdo me prometeram material, levaram duas caçambas de lixo para o campus da universidade, o que me deu mais trabalho que ajudou. Existe literatura sobre compostagem, apostilas e até alguns livros, mas muita coisa que existe escrita não funciona e decorre da compilação de velhos manuais sobre o assunto, qdo se verifica na prática, algumas técnicas são simplismente furadas. Claro existem dicas excelentes, livros que trazem técnicas corretíssimas sobre comppostagem e criação de minhocas, sobre fertilizantes orgânicos e coisas afins, mas são poucas as boas literaturas. Então é isso, resumi minh história sobre como conheci e aprendi um pouco sobre compostagem, fertilizantes orgânicos, minhocultura e biofertilizantes, e acho que temos de incentivar e criar nas pessoas a ideia de usar os resíduos orgânicos como fertilizante, isso é um conhecimento milenar que se perdeu com o advento da química agrícola, os fertilizantes químicos introduzidos na revolução verde a partir da década de 1950, acabaram por substituir a adubação orgânica, muitas vezes de forma definitiva e absoluta, tanto que nas faculdades de agronomia as disciplinas são voltadas quase que exclusivamente para a adubação química, uso de fertilizantes orgânicos é orientado como coadjuvante, os agrônomos, em sua maioria, devido a isso, abominam ou ignoram as práticas orgânicas, salvo algumas excessões, mas isso fruto de uma orientação na sua formação que o que funciona é NPK, o resto é resto, claro existem disciplinas voltadas para microbiologia do solo, agroecologia, preservação ambiental, mas é pouco ainda.
Na década de 1970, com o surgimento da atual corrente ambientalista, que se iniciou ecológica, começou a se verificar que o uso intensivo de agroquímicos, tanto fertilizantes quanto defensivos era também uma das causas de muitos problemas de contaminação de ambientes dos mais diversos, contribuindo com impactos ambientais devastadores. Lá pela década de 1990 teve foi iniciada a alavancagem da atual agricultura orgânica, ecológica ou o termo que o valha, que nada mais é que voltar as origens, uso de sementes criolas ou de variedades tradicionais, fertilizantes e defensivos naturais "orgânicos", enfim, como era a maioria das culturas antes da apologia dos agroquímicos. Plantio direto, uso de resíduos agroindustriais, industriais e urbanos como fontes de nutrientes deveria ser a coisa mais natural do mundo, mas tem de ser reinventado e redescoberto, o que se fazia a mais de 100 anos atrás, virou novidade agora e tudo que pudermos fazer para melhorar isso temos de fazer, são aterros enormes e que hoje ferem violentamente as normas ambientais vigentes, dificila prefeitura que não tem problemas com o lixo e a maioria desse lixo poderia virar adubo de boa qualidade para praças, gramados, parques, pomares e hortas comunitárias, mas vira chorume, gás metano, odores desagradáveis e alimenta toda sorte de pragas e doenças, polui e contamina o solo, o ar e a água!
Por isso criei os meus posts sobre esses assuntos e acompanho todos os que também discutem o assunto, como esse aqui e sempre estou disposto a trocar conhecimento e experiências, mesmo me considerando, como vc, um aprendiz, longe de ser um expert ou mestre no assunto, sei que ainda tenho muito a aprender, mas hoje já tenho algo a ensinar, pouco, mas esse pouco tenho grande satisfação em compartilhar, porque conhecimento deve ser socializado, o saber é como ouro, enterrado dentro de um baú na terra não serve a nada, usado com sabedoria e bem distribuído, constitui fonte de riquesa a todos que tem acesso.
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Re: fazendo Composto

Mensagempor Sinval Braga em 11 Jul 2011, 19:31

Roque

Achei a sua trajetória fascinante. Pode ter certeza, vc é um ILUMINADO. Não sou religioso e nem tenho religião, mas com certeza o TODO PODEROSO te deu missão, que você cumpre de maneira brilhante.
Estava vendo minhas anotações, e descobri que estou envolvido com compostagens desde 1985. Ou seja 26 anos.
Nesta epoca, morava em Cuiabá MT, era piloto de aeronaves, portanto tinha bastante tempo livre, pois trabalhava por escala. Meu primeiro contato com compostagens, foi atraves de uma revista especializada, mas era só uma notinha. Procurei livros, mas como vc mesmo disse, era e ainda é dificil achar algo que fale sobre o assunto.

Atraves de minhas pesquizas (não tinha internet), fiquei conhecendo o trabalho do fitopatologista ingles Sir Albert Howard, que formulou seus primeiros conceitos básicos sobre compostagem. Dali para cá (1985), a maneira de se fazer compostagem, não mudou nada, ou seja - 1 camada de restos organicos, outra camada de estercos animais e assim até completar o monte. Esperar 6 meses e usar. Mas 6 meses era muito tempo. Então passei a trabalhar uma maneira para diminuir este tempo. Uns 2 anos depois, estava fazendo composto com apenas 25 dias. Dai passei para a minhocultura, e mais tarde para o biofertilizante, mas sempre tendo o composto como a espinha dorsal.

Na minha chacara tinha horta, frutiferas, plantas aromaticas e medicinais, tudo cultivado com o composto. Cheguei a ter 2 vacas, 2 bezerros e um tourinho. A produção de leite era secundaria. Em primeiro lugar estava o esterco que produziam.
Fiz trabalhos comunitarios, trabalhos em escolas e cheguei a desenvolver um projeto junto com a Empaer, na produção de mini-milho. Todos estes trabalhos ligados a agricultura organica.

Sou paulista de nascimento (nasci em Jacarei-SP) e cuiabano de sentimento. Me considero um afortunado por ter morado tanto tempo naquela cidade, onde aprendi (e estou aprendendo) muito sobre ecologia. Tenho muitos amigos agronomos e biologos que junto comigo participaram de diversos projetos ecologicos. Afortunado também por ter a aviação como profissão, pois graças a ela conheci todos ecosistemas brasileiros, como a floresta amazonica, mata atlantica, pantanal, cerrado e caatinga.

Roque, é uma satisfação contar com vc. Temos muito em comum.
Grande abraço
Sinval
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Re: fazendo Composto

Mensagempor roque em 11 Jul 2011, 20:20

Também sou paulista de nascimento, mas me tornei, por assim dizer, amazonense de coração, desde que que cheguei a Manaus, no início de 1992 e ví do avião a floresta amazônica, me apaixonei pela exuberância daquilo tudo, a floresta, as águas, os peixes, os animais, enfim a explosão de vida! De certa forma minha profissão também colaborou muito na minha trajetória, morei 3 anos em Tabatinga, no interior do estado do amazonas, mas não em Tabatinga, fiquei quase 30 meses em duas comunidades ribeirinhas entre 200 e 400 Km de Tabatinga, na fronteira com o Peru. Depois fui para Natal, onde morei 4 anos, voltei a manaus e passei quase 11 anos, e agora estou em Cruz Alta, interior do RS e agora em dezembro devo estar de mudança novamente, voltanto para Manaus ou talvêz Campo Grande - MS, mas só saberei entre agosto e outubro o destino certo. Viaja e conhecer diferentes estados, cidades, culturas e pessoas diferentes, enriquece nossa vida, dá experiência e bagagem, enfim, as vezes é desgastante, mas no fim, não me arrependo de nada, conheço, pelo menos um pouco do nosso enorme Brasil, e com isso conhecemos a diversidade em todos os aspectos, bons e ruins de nosso querido país.

Uma coisa que eu sempre digo é que compostagem e produção de biofertilizantes só se aprende na prática, tenho livros, já li dezenas de dissertações de mestrado, teses de doutorado, até monografias, apostilas, páginas na internet, periódicos e revistas, enfim, na época do mestrado tive de mergulhar numa pesquisa bibliográfica que desse embasamento teórico a minha modesta pesquisa e então vi que muita coisa é meramente teórica e na prática serve muito pouco ou nada. Qdo se estuda um tema durante decádas, como vem a ser nosso caso, acabamos angariando um conhecimento e uma sabedoria que academicamente se descreve como o "estado da arte" do conhecimento atual, onde vamos juntando pequenos conhecimentos e só depois de muita coisa, somos capazes de concatenar isso e ir tipo, montando um quebra-cabeças e passamos a ter um entendimento cada vez maior e melhor sobre o assunto. Desde o início do curso de agronomia sempre fui apaixonado pelas ciências do solo, entender como a planta interage com o solo, os nutrientes, os microorganismos, a matéria orgânica, e com isso fui me aprofundando sempre nesse tema.

Uma vez apareceu no programa pequenas empresas grandes negócios, se não me engano, acho que era uma empresa paulista, mas não tenho certeza, que montava usinas de reciclagem de lixo orgânico, onde o material virava composto em 3 dias, usavam um inóculo de microorganismos selecionados, isolados por pesquisadores e produzidos em laboratório, junto com uma solução nutritiva, o lixo orgânico separado era triturado, recebia uma dose de solução nutritiva e o inóculo de microorganismos, depois entrava num sistema de reviramento e em 3 dias estava bioestabilizado, mas nunca tive nenhum conecimento a mais sobre isso.

Uma coisa ér certa velocidade pode ser bom, mas nem sempre é o melhor, uma boa compostagem demora sempre um pouco, o esterco acelera um pouco, usar materiais com uma relação C/N equilibrada, entre 1/30 e 1/60 ajuda muito, qto mais próximo de 1/30, melhor, abaixo disso o problema é a decomposição rápida com consequente perda de N e outros nutrientes e produção de gases com odor ruin. O humus tende a ficar entre 1/10 e 1/12, mas depende muito do composto fornecido as minhocas. o esterco bovino clássico fica entre 1/30 ou um pouco mais, dependendo da alimentação dada aos animais. Geralmente, as minhocas sãoalimentadas com esterco compostado, quase puro, esse composto fica, obviamente com uma relação abaixo de 1/30, fazendo com que o humus fique próximo de 1/10, se vc usar um composto orgânico a base de restos de plantas, com pouco incremento de N, o composto, dificilmente ficará com uma relação C/N semelhante a do esterco bovino compostado, que é o substrato clássico para minhocultura comercial, e o humus produzido terá uma relação C/N até maior que 1/12. Isso era o caso do meu composto a base de serragem, eu usava cerca de 50% de serragem crua, e ia acrescentando outros materiais a pilha. Qdo se usa qtdes significativas de serragem, a compostagem tende a ser mais demorada, e o composto fica com um teor maior de C, o que a maioria dos especialistas em adubação acham ruim oou indesejável. Ocorre que a matéria orgânica num composto tem duas funções, didaticamente, a de fornecer nutrientes e a de aumentar o teor de carbono no solo. Sempre se raciocina que toda a matéria orgânica será decomposta, mas isso não ocorre assim, uma parte da matéria orgânica acaba ficando numa forma extremamente resistente a ação dos microorganismos decompositores, formando compostos extremamente estáveis, que são classificados num isolamento, de fração humina, qdo usamos materiais mais ricos em carbono, caso clássico da serragem, o composto fornece menos nnutrientes que um produzido a partir de materiais mais ricos, como um bom esterco, porém o teor de carbono residual no solo com a incorporação desse composto é maior, melhorando mais as características físicas e químicas do solo, o que também é muito desejável. Isso não se encontra com muita facilidade em textos convencionais, mas incorporar doses maiores de carbono no solo é uma coisa importante para aumentar a fertilidade do solo. O equilíbrio entre incorporar carbono numa forma resistente e fornecer nutrientes de liberação lenta e constante para as raízes das plantas é o que todo agricultor deveria buscar.
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roque
Usuário Buth Jolokia
 
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